Por Roberto de Souza Pinto – presidente do SINDVEL
Estar entre o seleto grupo de líderes sindicais escolhidos para integrar a “Missão Japão 2025”, organizada pela FIEMG em parceria com o Governo do Estado de Minas Gerais, foi uma grande honra e satisfação. Essa foi uma ação estratégica, com o objetivo de estreitar parcerias comerciais entre empresas mineiras e investidores japoneses, além de consolidar Minas Gerais como um destino seguro e promissor para novos investimentos.
A missão foi enriquecida pela presença de empresas brasileiras de renome com as suas marcas e representantes; como Vale, Usiminas, Gerdau, Sigma e Anglo American; além de lideranças políticas e institucionais. Entre elas, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema; as secretárias Mila Correa (Desenvolvimento Econômico) e Marília Melo (Meio Guilherme Abranches; o presidente da FIEMG, Flávio Roscue – líder maior da Missão Japão – o cônsul honorário do Japão em Belo Horizonte, Wilson Brumer; o presidente do Sebrae Minas, Marcelo de Souza Silva; o CEO da Invest Minas, João Paulo Braga; além de deputados estaduais e federais, entre outras autoridades.
Um dos pontos altos da nossa agenda foi a visita à Expo 2025 OSAKA — uma feira mundial que acontece a cada cinco anos desde 1851, com duração de 6 meses em todas as suas edições.
A cada ano, o país-sede constrói uma estrutura monumental cedendo espaço para centenas de países instalarem seus galpões de exposição para receber visitantes do mundo inteiro. Este ano, o Japão criou uma verdadeira ilha artificial, feita de madeira, montada toda com encaixes, sem usar um único prego — uma obra de arte arquitetônica.
Mais de 100 países participam da exposição divididos em pavilhões temáticos onde apresentam ao mundo o que têm de mais inovador. O Brasil também se faz presente com o seu pavilhão, com ênfase em sustentabilidade, cultura, biodiversidade e negócios. Nesse último aspecto, o Brasil mostrou sua força em setores como turismo, agronegócio, mineração, aeronáutica, entre outros. E é com orgulho que destaco o protagonismo de Minas Gerais nesse contexto: a missão mineira até o momento foi a mais representativa e com o maior número de participantes, tanto de empresas da iniciativa privada, quanto do setor governamental.
Entre os países que mais nos chamaram a atenção, destaco a Alemanha, com seu modelo de construção sustentável e economia circular; a Argentina, com foco em inovação social; a França, que abordou o tema do engajamento global; a Espanha, que apresentou soluções em sustentabilidade marinha; os Estados Unidos, que deram ênfase à exploração espacial e inteligência artificial; e o próprio Japão, que encantou com um pavilhão centrado na harmonia entre vida, cultura e tecnologia.
Nossa agenda foi intensa e variada além da EXPO OSAKA. Visitamos indústrias, universidades, além de pontos turísticos e culturais. A FIEMG dividiu os participantes em grupos, e o grupo ao qual integrei teve a oportunidade de visitar a sede da Panasonic, localizada a 200 quilômetros de Kioto. Lá, fomos recebidos pessoalmente pelo presidente mundial da empresa, que, para nossa surpresa e alegria, leu seu discurso em português. Ele fez questão de destacar a importância da fábrica da Panasonic em Extrema (MG), ativa desde 2012.
A relação entre Minas Gerais e o Japão, aliás, é antiga e sólida. Desde 1958, com a fundação da Usiminas, passando pela instalação da Panasonic, pela indústria de lítio sustentável no Vale do Jequitinhonha — a maior da América Latina — até os projetos mais recentes em semicondutores, essa aliança tem se mostrado duradoura e promissora.
Outro momento marcante da missão foi a imersão na Universidade de Osaka. Participamos de um curso sobre pesquisa e desenvolvimento de produtos. Fiquei impressionado com a didática e com a forma como o professor demonstrou a criação de um robô, desde a concepção, os primeiros protótipos, até sua aplicação prática em ambientes fabris.
O Japão é, sem dúvida, uma referência mundial em tecnologia e inovação. Mas talvez o que mais me marcou tenha sido a experiência cultural. A disciplina, o respeito ao próximo e às instituições, o cuidado com os espaços públicos, a higiene e o senso coletivo são admiráveis. É um país onde não se vê lixo nas ruas, nem mesmo lixeiras — isso porque cada cidadão é responsável pelo seu próprio descarte. Nas escolas, são os próprios alunos que limpam as salas de aula. E a hierarquia se faz presente e destacada desde o começo da vida das crianças, até mesmo nos uniformes escolares.
No trânsito, cenas impressionantes como as multidões que atravessam em várias direções nos cruzamentos de Tóquio, sem empurrões ou incidentes. Além disso, a gastronomia japonesa surpreende pela organização, higiene e variedade. Ao contrário do que se imagina, é possível comer muito bem em diversos lugares, com excelente estrutura.
Volto dessa missão com a certeza de que não apenas avançamos na construção de pontes comerciais com o Japão, mas também trouxemos valiosas lições de vida, cidadania e comprometimento. São valores que, se incorporados a nossa cultura, podem nos ajudar a construir um Brasil melhor — mais respeitoso, produtivo e sustentável.

