Vale da Eletrônica se europeiza

Fábricas de Santa Rita do Sapucaí fecham parceria inédita para produzir no país europeu.

Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor industrial no Brasil, as empresas do Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas), vão apostar as fichas no mercado externo. Por meio de uma parceria com o governo da Eslováquia, os empresários do polo vão criar uma linha de produção na Europa, com vistas ao atendimento da comunidade europeia. Na prática, trata-se de uma fuga dos altos custos brasileiros, associada à conquista de novos mercados. O projeto deverá ser concretizado em novembro de 2016.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, a parceria começou a ser planejada no mês passado, durante missão empresarial à Eslováquia. O governo eslovaco convidou os empresários do Arranjo Produtivo Local (APL) a produzirem no país aqueles produtos que já são vendidos na Europa. Os empresários entrariam apenas com o know-how para a fabricação, sem necessidade de aportes iniciais.

Em troca, o governo cederia o terreno, a estrutura e total isenção tributária para a produção. A ideia é que os trabalhos sejam iniciados em forma de startup. “Eles estão em busca de retomar a produção do setor na Europa, que hoje tem plantas espalhadas pelo mundo todo. Eles querem apostar em nossos produtos para exportá-los para todo o continente”, afirma.

Mas em um primeiro momento, só entrarão na linha de montagem aqueles produtos que já possuem mercado na Europa. Por isso, o sindicato fará uma lista de 20 itens em condições de serem produzidos por meio da parceria, entre os 13.600 fabricados no polo mineiro. Entre a seleção dos produtos e a realização de todos os trâmites serão necessários poucos meses. A produção em terras europeias deverá ser iniciada em novembro do próximo ano.

Para garantir a mão de obra qualificada, está sendo finalizado um acordo com universidades no Brasil e na Eslováquia. Na prática, estudantes eslovacos virão para o País a fim de estudar e estagiar nas empresas do Vale da Eletrônica. Ao mesmo tempo, brasileiros estudarão na Europa, além de estagiarem na unidade montada no exterior.

A parceria é vista pelos empresários de Santa Rita do Sapucaí como uma oportunidade de ampliar os negócios em um período em que os resultados do polo mineiro estão estagnados, devido ao mau momento econômico nacional. “Estamos lutando com dificuldades para sobreviver em um país em crise”, diz o presidente do Sindvel.Seguindo a mesma lógica de busca pela sobrevivência, muitos empresários do APL estão fechando parcerias com o capital estrangeiro. Empresários de outros países estão se tornando sócios em empreendimentos do polo, como forma de fabricar seus produtos no Brasil. Pelo menos cinco parcerias desse tipo já foram efetivadas e várias negociações estão em curso.

Mesmo com todo esforço, as empresas do polo não fecharam o ano com um bom resultado. Há casos em que a queda da produção chegou aos 35%. Na média, as 153 indústrias locais devem fechar 2015 com a produção idêntica à alcançada em 2014. O resultado é o pior dos últimos 30 anos, uma vez que as empresas sempre fechavam com crescimento anual na casa de dois dígitos.

Fonte: Caminhos do Sul de Minas