Vale da Eletrônica registra crescimento com inovação

Polo lança 7,5 mil produtos e adota estratégia de prestar serviços. As 153 indústrias, a maioria micro e pequenas empresas, faturam um montante da ordem de R$ 3,2 bilhões.

Apoiado na capacidade de inovação tecnológica, o Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, está conseguindo não apenas sobreviver mas também crescer mesmo diante da crise econômica nacional. Somente no ano passado, o arranjo produtivo local (APL), formado por 153 fabricantes de eletroeletrônicos, lançou 7,5 mil produtos. O polo também incorporou uma nova estratégia baseada na prestação de serviços, aliada aos itens comercializados, com objetivo de gerar mais renda.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, o diferencial do polo em relação a APLs de outros segmentos, que sentiram forte impacto da crise, é a capacidade de inovação tecnológica.
Segundo ele, as empresas de Santa Rita do Sapucaí não passaram pelas dificuldades que outros segmentos e polos industriais no País ainda atravessam, como o setor automotivo, que, como  em Minas, registra desemprego, férias coletivas, fechamento de empresas e redução da jornada de trabalho.
“E isso é sustentável porque a base do polo é a formação de pessoal capacitado. O Vale da Eletrônica se desenvolveu somente depois que construímos nossas escolas. Nessa linha, a capacidade de inovação tecnológica também é um diferencial, mesmo porque o produto de tecnologia fica obsoleto muito rápido e quanto mais tecnologia ele tem, menor sua vida útil”, afirmou.
O dinamismo da tecnologia incorporada nos produtos do polo é tão grande que, segundo o presidente do Sindvel, somente de 2015 para 2016, 6,8 mil produtos deixaram de ser fabricados e outros 7,5 mil novos itens começaram a sair das linhas de produção das empresas do polo.
Expansão – Nos anos 80, quando o polo tomou forma parecida com o que é hoje, o APL reunia 17 empresas com uma receita de R$ 2,2 milhões e uma linha de 220 produtos. Hoje, são 153 indústrias, a maioria de micro e pequeno portes, faturamento anual da ordem de R$ 3,2 bilhões, 14,5 mil produtos fabricados e 14,1 mil postos de trabalho.
“A capacidade de inovação tecnológica é o que sustenta o polo. Se não houver investimentos constantes a inovação acaba e é o próprio mercado que vai fazer isso porque a tecnologia é superada constantemente”, reforçou o representante das indústrias do Vale da Eletrônica.
Porém, existe uma outra estratégia que vem dando resultados para o polo, como destacou Souza Pinto. “De cinco anos para cá, as empresas começaram a vislumbrar que viver de prestação de serviços seria melhor do que apenas vender o produto. É um nicho de mercado crescente e uma tendência”, explicou.
O presidente do Sindvel detalhou que, na prática, isso significa criar produtos que aliam o emprego de alta tecnologia com a necessidade de gerenciamento dos softwares administrativos ou soluções com equipamentos gerenciáveis a distância, aplicáveis em várias áreas, como segurança eletrônica e radiodifusão.
Fonte: Diário do Comércio