Vale da Eletrônica aposta nas exportações

Empresas apostam as fichas no mercado internacional e estimam crescimento entre 8% e 10% neste ano.

Com a demanda interna estagnada, as indústrias do Vale da Eletrônica de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas, apostam as fichas no mercado internacional. Com um trabalho forte para aumentar as exportações, os empresários locais apostam em um crescimento entre 8% e 10% no faturamento do Arranjo Produtivo Local (APL) neste ano frente a 2015.

“Você só é forte para enfrentar uma crise como essa quando você se prepara. Estamos há mais de 30 anos investindo em inovação tecnológica, em startups, em formação de produtos novos. Aí, quando veio a crise no País, nós estávamos prontos para buscar outras oportunidades”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto Pinto. E essa oportunidade, dessa vez, veio em forma de maior aproximação com o mercado externo. Atualmente, o principal mercado é o da Bolívia, com envio de 29% do que é exportado para o país. A Argentina e o Paraguai possuem uma participação de 9% cada um e o Peru, de 8%.

No ano passado, quando esse movimento de maior internacionalização foi iniciado, o polo apresentou um faturamento igual ao registrado em 2014. Apesar de ser um desempenho bem mais baixo do que a média de 28% de crescimento quantificado entre 2006 e 2014, ainda foi comemorado por ter ocorrido em um ano de crise econômica no País. E, se não fossem as exportações, os resultados globais do polo teriam sido negativos. Em todo o Brasil, foram exportados US$ 70,4 milhões em produtos eletroeletrônicos. O valor é 10% superior aos US$ 64 milhões registrados em 2014.

No primeiro trimestre, o faturamento das empresas do APL se igualou ao apresentado em 2015. “Os resultados vão surgindo aos poucos. É tudo fruto de um esforço prévio. Essa semana mesmo, estivemos em Las Vegas, com uma ilha do Vale da Eletrônica na maior feira de radiodifusão do mundo”, afirma. Esse evento é o National Association of Broadcasters (NAB Show). No ano passado, o polo fechou R$ 38 milhões em negócios apenas nessa feira. Em 2016, o esperado é chegar em R$ 48 milhões.

Eslováquia – Outra ação em curso, que deverá trazer resultados em breve, é a parceria com o governo eslovaco, abrindo as portas da comunidade europeia para o APL. As empresas do Vale da Eletrônica se instalarão na Eslováquia, com apoio do governo local, para produzirem o que eles demandarem dos países do entorno.

A parceria envolve ainda um acordo entre as universidades de Tecnologia de Bratislava e de Trnava, ambas na Eslováquia, e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), no Sul de Minas. Haverá o intercâmbio de alunos entre elas. Os brasileiros que forem estudar nas duas instituições de ensino vão trabalhar nas empresas do polo instaladas no país. “O acordo está avançando. Já sabemos que 20 brasileiros irão para o intercâmbio e 20 europeus virão. Estamos trabalhando para viabilizar tudo até setembro”, afirma. As apostas deverão gerar um resultado positivo para o APL. As projeções são de alcançar um faturamento entre 8% e 10% superior ao apresentado em 2015 neste ano.