Migração para TV digital gera oportunidades

Empresas de Santa Rita do Sapucaí já registram aumento nas vendas de conversores set-top box

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estipulou o prazo até novembro de 2018 para que todos os municípios do Brasil tenham a transmissão digital.

Pelo cronograma previsto, este ano já começaram as transmissões exclusivamente digitais nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e do Rio de Janeiro. O desligamento do sinal analógico deve atingir 30 milhões de famílias.

A transição do sinal analógico para o digital na TV brasileira, programada para começar em abril de 2016, promete trazer uma série de benefícios para o telespectador: som e imagem em alta definição e a possibilidade de interatividade são algumas delas. A mudança vai exigir que todos os televisores estejam preparados para receber a novidade. Para tornar o equipamento analógico capaz de receber o novo sinal é preciso o uso de um conversor ou “set-top box”.

“A palavra de ordem é incluir todos os brasileiros nessa nova televisão digital, com melhor qualidade de som e imagem. Para isso, a gente já tem trabalhado com a indústria e com o varejo para que haja promoções e disponibilidade de equipamentos, para que toda a população possa ser atendida com a compra de equipamentos e antenas e a capacidade necessária para assistir a televisão digital, no Brasil”, disse o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Rodrigo Zerbone.

Uma parte importante da população, principalmente nas grandes cidades, já recebe o sinal em equipamentos que possuem o conversor integrado ou acoplaram o equipamento ao televisor antigo. Porém, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em abril, em 54,5% dos domicílios brasileiros só existem televisores de tubo.

Levando-se em conta que a televisão está presente em 97,2% dos lares brasileiros e que, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o País já tem um aparelho de TV por habitante, o Brasil tem mais de 200 milhões de aparelhos de televisão.

Todos esses números impactam diretamente as indústrias que fabricam o conversor. Em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas – cidade que abriga o Vale da Eletrônica -, a expectativa é grande. A Intelbrás, que tem uma das suas cinco plantas na cidade, se prepara para incrementar a produção de conversores em 2016. Sem revelar o investimento, o gerente do segmento de antenas/conversor da Intelbras, Tiago Ribeiro, aposta no aumento gradativo das vendas.

“O número de pedidos já aumentou, mas ainda não chegamos no limite. As emissoras já começaram a divulgação massiva da informação sobre o desligamento do sinal analógico e isso vai fazer com que os consumidores prestem atenção. Os comerciantes que souberem fazer uma boa propaganda vão poder oferecer o equipamento como uma opção de presente de Natal. Estamos investindo em uma nova linha de produção em Manaus para atender todo o território”, explica Ribeiro.

Em Paraisópolis, também no Sul de Minas, na fábrica da Proeletronic, o diretor da empresa, Alexandre Trindade, também aposta no aumento das vendas, mas considera que o auge será apenas em 2018. “O consumo tem aumentado desde o ano passado, impulsionado pela Copa do Mundo, mas o mercado ainda é bastante abastecido por produtos importados. Essa mudança impõe uma atualização tecnológica que se torna permanente. É possível que mesmo quem já tem um conversor o troque por um modelo mais moderno antes de comprar um novo televisor”, afirma Trindade.

O custo é o principal fator que pode levar com que os telespectadores prefiram o set-top box, que tem preço médio de R$ 200, a um aparelho de TV digital, que não sai por menos de R$ 800, em média. “Um aparelho de TV dura muitos anos. Mesmo quem vai comprar uma TV digital não vai jogar o analógico fora, que é sempre destinado a outro cômodo da casa ou repassado para outra pessoa. Isso faz com que o mercado de conversores continue atrativo”, avalia o gerente do segmento de antenas/conversor da Intelbras.

A manutenção do cronograma de desligamento do sinal analógico é a grande preocupação dos empresários. O retorno dos investimentos está condicionado ao cumprimento dos prazos. Quatorze milhões de beneficiários do programa federal “Bolsa Família”, receberão o conversor gratuitamente. “É importante manter o cronograma e seria muito bom que o governo tivesse uma política para fomentar a indústria. Isso pode gerar empregos e arrecadação. Vivemos um período difícil porque a nossa matéria-prima é dolarizada e não é possível repassar o aumento dos custos para o consumidor”, destaca o diretor da Proeletronic.

“Essa venda garantida é muito importante para a indústria para assegurar o retorno dos investimentos. Também é uma forma de atingir um público que teria dificuldade para fazer a migração em um primeiro momento”, comemora o executivo da Intelbras.

Contramão – O presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, porém, não se mostra tão animado. “A lógica era que as pessoas aproveitassem os aparelhos analógicos comprando apenas o conversor, mas não foi isso que aconteceu até agora. A diferença de preço anima as pessoas as comprarem o aparelho com a tecnologia embutida”, avalia Souza Pinto.

Mas a visão do dirigente não é de todo pessimista. Para ele, empresários e governo ainda não se atentaram para um novo negócio. “Vamos ter um volume de aparelhos analógicos descartados enorme e é preciso implementar uma solução para o lixo eletrônico gerado. Abre-se, então, um mercado para a reciclagem. Nessa época de aperto econômico e desemprego que vivemos essa é uma nova atividade econômica possível”, alerta o presidente do Sindvel.

Telefonia – Com a transição para a TV digital, a faixa de radiofrequência ocupada pela TV analógica será liberada e utilizada por empresas de telecomunicações para a prestação de serviços móveis de quarta geração (4G). As operadoras de telefonia que venceram o leilão deverão distribuir aparelhos e antenas para todas as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. As companhias devem investir R$ 3,6 bilhões no pagamento de custos para essa transição.

O desligamento do sinal analógico será feito a partir do momento em que o sinal digital esteja disponibilizado a, no mínimo, 93% dos domicílios da região. A população de cada localidade será informada do desligamento um ano antes que ele ocorra, com inserções diárias na programação televisiva. Uma tarja com informações como a data do desligamento e as formas de tirar dúvidas sobre o fim das transmissões analógicas também será veiculada.

Quem usa antena parabólica ou é assinante de TV a cabo não terá que passar por nenhuma adaptação. Os detalhes das mudanças, como fazer a adaptação e o cronograma de desligamento de todo o Brasil estão disponíveis no site www.vocenatvdigital.com.br ou no telefone 147.

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