Federações das Indústrias do Sudeste fazem aliança em defesa do setor

Foto: Walterson Rosa

Por Agência Fiemg de Notícias

Reunião inédita dos presidentes das Federações das Indústrias do Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo) marcou o Encontro Nacional da Indústria – ENAI 2018, em Brasília. 

O objetivo foi promover uma aliança em defesa do futuro da indústria nacional. A reunião contou com a presença de cerca de 200 empresários e líderes sindicais dos quatro estados.

O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe Nogueira, defendeu o trabalho conjunto das quatro entidades como uma forma de investir no industrial e nos interesses da sociedade. “Nós temos de defender os interesses difusos da sociedade, porque poucas pessoas defendem os interesses difusos da sociedade. E a indústria, ela casa, ela casa com a sociedade. Quando o setor industrial investe no local, ela investe a longo prazo,” ressaltou.

Roscoe ainda ressaltou que “ela (indústria) precisa da mão de obra qualificada, precisa de educação, de infraestrutura e de que a sociedade se desenvolva. Os impactos que nós podemos ver nas comunidades que são atingidas por um grande investimento industrial são enormes a longo prazo”, destacou o líder empresarial.

Eduardo Eugenio, presidente da Federação carioca, lembrou que o mundo e o Brasil passam por profundas mudanças, atingindo os processos de produção, a tecnologia e a forma de consumo da sociedade. Segundo ele, essas transformações exigem uma gigantesca responsabilidade dos empreendedores e empresários brasileiros. “Temos uma responsabilidade social, legal, de promover o ensino e a qualificação dos profissionais, preparando-os para uma economia do futuro. O mundo discute isso. Não sabemos bem o que virá, mas temos a certeza que seremos diferentes do que aí está”, afirmou.

Para o presidente da FIRJAN, é necessário promover uma reflexão sobre como enfrentar o problema e defender o empresário brasileiro, diante do anacronismo existente hoje no país. “Há uma representação empresarial fragmentada, que ainda atua como no século passado. Temos que promover a modernidade, a indústria 4.0 e resgatar o valor do empresário”, disse, propondo levar a discussão para academia, estudantes e intelectuais, ou seja, os formadores de opinião.

Nesse sentido, Eduardo Eugenio propôs que o grupo trabalhe de forma plural, transparente, em rede, aceitando as diferenças ideológicas e de gerações. “O empreendedor brasileiro é ousado. Temos que usar essa ousadia para enfrentar os desafios e pensar no futuro, criando uma rede de esperança e confiança no país e no empresariado”, ressaltou.

Para concretizar a atuação desse grupo de trabalho, ele propôs a realização de reuniões de trabalho e eventos empresariais entre as quatro federações para debater os temas apresentados, com a participação de empresários e lideranças sindicais dos quatro estados. “Vamos criar uma agenda para mostrar à sociedade que não existe um país sem empresa”, assegurou.

Presidente em exercício da FIESP, José Ricardo Roriz destacou que as federações de São Paulo e do Rio já atuam conjuntamente em diversas frentes de trabalho, mas que é necessário fazer mais pelo empresário brasileiro. Segundo ele, as causas da crise já são conhecidas por todos, “mas é necessário apresentar as propostas da indústria e fazer com que elas cheguem à sociedade”. “Vivemos com altos impostos, uma carga tributária que tira a capacidade de investir, de modernizar a indústria, entre outros entraves. Temos que apresentar as soluções desses problemas”, acrescentou Roriz.

Léo Castro, da Federação das Indústrias do Espírito Santo, também defendeu que as discussões sejam mais racionais em um país, hoje, dividido. “A indústria tem que convergir para tornar o país mais inclusivo e mais fácil para o empreendedor, que é quem gera a riqueza desse país”, disse.

Confira na íntegra o discurso do presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, durante o encontro: 

“É com muito prazer que Minas Gerais está aqui presente, hoje. Eu acho muito importante a união do Sudeste. Nós podemos fazer muito, muito mesmo, juntos, pelo Brasil. O que todos falaram aqui é de grande relevância.

Eu gostaria destacar uma coisa. Nós temos de defender os interesses difusos da sociedade, porque poucas pessoas defendem os interesses difusos da sociedade. E a indústria, ela casa, ela casa com a sociedade. Quando uma indústria investe no local, ela investe a longo prazo.

Ela precisa da mão de obra qualificada, ela precisa de educação, ela precisa de infraestrutura, ela precisa que a sociedade se desenvolva. Os impactos que nós podemos ver nas comunidades que são atingidas por um grande investimento industrial são enormes a longo prazo. E nós não podemos fugir no  primeiro sopro.

Os nossos investimentos são de longo retorno, de longa maturação. Portanto, faz parte de ser industrial defender o melhor para a nossa sociedade. Isso tem que estar no nosso espírito e na nossa essência. E é isso que nós precisamos de fazer para convencer a sociedade das mudanças que são necessárias para o Brasil. Eu tenho certeza que unidos nós conseguiremos fazer isso.

E temos de falar a linguagem do povo. A sociedade tem que entender que o empresário não é bicho papão, que o empresário é o futuro dos filhos dela. No dia em que ela entender que o empreendedor transforma realidades, que ele tem potencial de alterar a sua vida e a vida de sua família, ela irá apoiar. E nós empresários fomos omissos durante todos esses anos, porque nós deixamos o governo tomar a palavra. O governo diz, eu sou governo bonzinho, eu vou cuidar de você. E nós temos a nossa responsabilidade de omissão. E é isso que nós temos que corrigir a partir de hoje, aqui e agora, nós com o Sudeste, é um grande passo.

Então aceito de muito bom grado, em nome de Minas Gerais,  o convite do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Espírito Santo. E tenho certeza de que juntos iremos transformar realidades, que o Brasil precisa, sim, de pessoas que deem a cara, apareçam, e venham mostrar os equívocos que nós já fizemos neste país, e que têm solução. Nós somos um país grande que não pensa grande. Vamos fazer isso a partir de agora, conto com o apoio dos senhores, e agradeço a oportunidade.”