APL’s trocam experiência em workshop

O 1º Workshop de troca de experiência do Programa de Apoio à Competitividade dos Arranjos Produtivos de Minas Gerais reuniu na sexta-feira, 23 de novembro, na Fiemg, representantes de sete importantes Arranjos Produtivos Locais (APLs) mineiros. O programa é uma parceira do Governo de Minas Gerais, Sistema Fiemg, por intermédio do IEL, e Sebrae-MG, com apoio dos sindicatos e associações, e é financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Este é um momento para se refletir em conjunto e aproveitar as boas práticas de cada APL”, disse o superintendente de desenvolvimento empresarial da Fiemg, Sérgio Lourenço, na abertura do evento.

Para o subsecretário de Indústria, Comércio e Serviços do Governo de Minas, Marco Antônio Rodrigues da Cunha, as metas do programa estão sendo alcançadas, principalmente as de aumentar a produtividade das empresas envolvidas. “As micro e pequenas empresas precisam conseguir manter um crescimento fluido e sustentável para conseguirem sair do APL mais fortes para um voo solo. É assim que acontece há tempo em países como França e Itália, onde os governos investem nos clusters”, explica.

O programa de apoio aos APLs conta com recursos de US$ 16,7 milhões. Deste total, US$ 10 milhões são provenientes do BID e o restante dos demais parceiros. São beneficiados sete arranjos produtivos no Estado. “É um valor relativamente pequeno, mas o projeto tem um grande holofote dentro do banco”, comentou a representante do BID, Vanderleia Radaelli. A especialista diz que no próximo ano vai passar um tempo nos APL’s para entender melhor a realidade de cada localidade e acompanhar o programa. “O BID está interessado em investir nas boas iniciativas e a colocar o foco na ponta do programa, que são as empresas”, diz.

Um dos empreendimentos que está sendo viabilizado pelo Programa de Apoio à Competitividade APL’s é a ampliação do laboratório do Senai de prototipagem e design para o desenvolvimento de novos produtos, do Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas). O laboratório conta com equipamentos de última geração para alavancar o desenvolvimento das empresas da região, permitindo que elas tenham uso diário da tecnologia de ponta. “O laboratório vai eliminar um dos maiores gargalos de nossa produção, pois vai acelerar a inovação tecnológica no Vale da Eletrônica, colocando à disposição do empresário os recursos para o desenvolvimento do seu protótipo. Esperamos ter a capacidade de fazer mais de mil protótipos por dia”, afirma o presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto.

Na cidade de 40 mil habitantes, são 150 fábricas voltadas para tecnologia, formando o APL do Vale da Eletrônica, que funciona com uma parceria afinada entre governo, academia e indústria. Segundo Pinto, outra parte dos recursos destinados ao APL será utilizada na certificação e homologação de produtos, na instalação de uma central de resíduos industriais, no apoio ao empreendedorismo, na assessoria para a regularização do licenciamento ambiental e no restante do plano traçado desde 2004 quando começaram as negociações do programa. “Aqui em Santa Rita as ações foram divididas entre os empresários que colaboram de forma significativa para a obtenção de sucesso do programa”, diz.

As estratégias do programa envolvem ações de gestão organizacional, planos de gerenciamento compartilhado, formação de mão de obra especializada, capacitações e assessorias empresariais. O objetivo é apresentar soluções para o crescimento de um conjunto de empresas de um mesmo ramo de negócios.

No APL de Móveis de Ubá já foram criadas feiras itinerantes para maior comercialização da produção e intensificação dos esforços de regularização dos licenciamentos ambientais. “Vamos criar uma central de resíduos e conscientizar as empresas quanto à necessidade de diminuir as sobras de produção”, diz o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá, Michel Pires.

Segundo Pires, o APL está trabalhando para melhorar a logística de entrega dos móveis. “95% das indústrias têm logística própria, vamos trabalhar opções compartilhadas e terceirização de parte do trabalho”, diz. O APL de Ubá conta com 300 empresas de móveis, que fecham este ano com queda no faturamento de 5%. “As empresas que fizeram forte investimento em design e abertura de mercado conseguiram escapar desta queda”, afirma.

Os sete arranjos contemplados neste primeiro projeto são os de biotecnologia e o de calçados e bolsas, ambos localizados na região Metropolitana de Belo Horizonte, calçados em Nova Serrana, eletroeletrônico em Santa Rita do Sapucaí, fruticultura na região do Jaíba, fundição em Divinópolis, Itaúna e Cláudio, e o de Móveis, em Ubá.

Fato Industrial – Informativo Eletrônico produzido pela Gerência de Comunicação e Marketing do Sistema Fiemg