APLs estimulam diversificação produtiva

O governo de Minas Gerais está investindo em uma nova política pública de fomento aos arranjos produtivos locais (APLs), conjunto de empresas de um segmento produtivo, localizadas na mesma região, trabalhando de forma cooperada e sinérgica. O Estado espera que mais empresas tomem conhecimento das vantagens de formar APLs, tendo como foco o fortalecimento e ordenamento da economia local.

Responsável pelo reconhecimento dos APLs em Minas Gerais, a Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais (Seedif) quer incentivar a diversificação produtiva e o fortalecimento dos diferentes segmentos econômicos em todas as regiões do Estado.

O objetivo do projeto é não apenas reconhecer os APLs, mas também fomentar o nascimento de novas empresas dentro da lógica de arranjo produtivo local. O incentivo representa o esforço do governo estadual em planejar e investir em melhorias, como obras de infraestrutura e escoamento da produção.

“Minas Gerais possui vários aglomerados de empresas com grande possibilidade de serem reconhecidos como APL, desde setores menos estruturados até outros mais organizados”, afirma o secretário Fábio Cherem.

Para dar representatividade aos diferentes grupos com vocações para APLs, o Estado pretende instituir ações articuladas com parceiros, como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), Sebrae e associações comerciais, visando ao fortalecimento dessas empresas e à geração de emprego.

Lingerie – Hoje Minas Gerais possui 38 APLs reconhecidos pelo governo do Estado. Um dos casos de sucesso no setor é o APL de lingerie na cidade de Juruaia, no Sul de Minas. A iniciativa transformou o município de 10 mil habitantes na capital mineira do lingerie, e o terceiro maior polo de produção do País.

De acordo com a Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju), são cerca de 250 confecções instaladas na cidade, que geram cerca de 8 mil empregos, movimentando o mercado de trabalho local e dos municípios do entorno.

As vendas do setor chegam a aproximadamente 1,5 milhão de peças por mês e o faturamento gira em torno de R$ 15 milhões. O APL de lingerie, que responde por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, produz anualmente cerca de 20 milhões de peças.

O segmento gera lucro para quem fabrica e também para quem revende. As grandes oportunidades de negócios estão nas feiras que atraem compradores do Brasil inteiro e de países como Holanda, Portugal, Argentina, Alemanha, Canadá e Austrália.

“Buscamos sempre inovar e nos destacar na moda íntima do país. Fomos descobertos e hoje todos sabem que nossos produtos têm design diferenciado e um bom preço aliado à qualidade”, destaca  a presidente da Aciju, Tânia Mara Rezende.

Inovação – Outro APL que se sobressai é o de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. O polo reúne três instituições de ensino e 153 empresas que desenvolvem produtos inovadores, voltados para os setores eletroeletrônico, de telecomunicações, segurança, informática, automação industrial e tecnologia da informação.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, ressalta a importância do ambiente de cooperação existente no APL para o fortalecimento dos empreendimentos de pequeno, médio e grande porte. Segundo ele, é dentro do arranjo produtivo que as empresas encontram parceiros para pesquisa, desenvolvimento de produtos e produção.

“Quando uma incubadora cria determinado produto e não tem recurso para produzir, então ela pode buscar outras empresas dentro do APL para fazer isso”, explica Roberto Pinto.

A troca de conhecimento e tecnologia, de acordo com o presidente do Sindvel, aumenta a competitividade do setor, facilitando a inserção dos produtos no mercado, de forma mais rápida.

O APL Eletroeletrônico projetou Santa Rita de Sapucaí no cenário tecnológico nacional e internacional, levando o município a ser conhecido como Vale da Eletrônica. Atualmente, o polo gera cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos, exporta para mais de 40 países e movimenta em torno de R$ 3 bilhões por ano. As informação são da Agência Minas.

Fonte: Diário do Comércio